Grupo de desenvolvedores brasileiros apresentam carta aberta com críticas ao BIG Festival

De um post da dev Thais Weiller no Facebook. O BIG Festival respondeu aqui.

Foto: Divulgação

Hoje, os desenvolvedores independentes de jogos brasileiros oficialmente apresentam essa carta aberta ao BIG Festival. A carta é resultado de muita discussão, conversa e trabalho de uma equipe que contou com mais de 60 pessoas nos momentos de pico. Foi um momento muito bonito, ver todas essas pessoas trabalhando juntas com o objetivo de melhorar o cenário de desenvolvimento brasileiro.

Atualmente, está assinada por 87 desenvolvedores, mas apoiadores continuam aparecendo e eu irei atualizar o link conforme eles forem entrando.

A baixo, texto principal da carta.

Carta aberta à organização do Big Festival e a quem interessar possa,

A partir da importância e tamanho do Big Festival, assim como o potencial de impacto e as relevantes mudanças que estes festivais são capazes de proporcionar na cadeia produtiva de jogos eletrônicos, elaboramos esta carta aberta.
Vimos através desta apresentar oficialmente nossa insatisfação em relação às escolhas do Festival. Essa insatisfação não é nova e já tem sido comunicada aos organizadores por diversas vezes nos últimos anos, com pouco ou nenhum resultado. Nos preocupa e incomoda que o BIG Festival, que usa em seu nome brazilian independent, dê tão pouco espaço para nós, os tais desenvolvedores brasileiros independentes.
Desta forma, optamos por unirmo-nos e escrever coletivamente esta carta aberta e pública, possibilitando que todos que a leiam se tornem testemunhas e contribuam para a cobrança de respostas e mudanças.
1 . Críticas
1.1 Festival 
Falta de transparência nos critérios de seleção dos finalistas do festival;
Falta de feedback para jogos inscritos, em especial para os que não passam na seleção de finalistas;
Muitos dos jogos inscritos nem foram jogados, tendo em vista informações de ativação de keys e estatísticas de triggers in-game;
Ex-jurados e pareceristas, que preferem se manter anônimos, afirmam ter a sensação que seu feedback não foi levado em conta, e que a organização simplesmente selecionou o que lhes convinha, baseado em gosto, preconceito ou conveniências pessoais;
Não há uma categoria para estudantes e não há incentivo para os iniciantes, sendo que os mesmos fazem parte de uma grande parcela dos participantes e público do festival;
Falta de política transparente para evitar conflitos de interesse entre o evento, seus patrocinadores e associações relacionadas;
Parcialidade nos escolhidos para o Big Booth; 
É confusa a definição de "independente" do festival, com equipes pequenas concorrendo contra estúdios bancados por corporações multinacionais; 
1.2 Palestras
A curadoria das palestras não é transparente;
Muitas das mesmas focam em assuntos considerados de pouca relevância para a maioria dos desenvolvedores, como muitas palestras institucionais de patrocinadores com pouco aplicação prática para o desenvolvimento direto;
1.3 Big Starter
É incoerente representantes do segmento mainstream (como Bandai Namco) julgarem jogos independentes. Não há problema nenhum em ter patrocinadores de peso, como por exemplo a IGF, patrocinada pela Microsoft e Gamasutra, mas isso não quer dizer que e são os patrocinadores que vão julgar vencedores de prêmios importantes, avivando ainda mais um conflito de interesses;
Os jurados são pouco diversificados, tanto culturalmente quanto em experiências na indústria. Há um foco em F2P que não combina com o que entendemos por desenvolvimento independente.
1.4 Big Brands
É estranho, no mínimo, um festival que se propõe a celebrar "Indie Developers" ter um prêmio para jogos feitos para grandes corporações, mas nenhuma premiação para iniciantes ou estudantes;
1.5 Comunicação e tratamento da comunidade
Palestrantes brasileiros não tem nenhuma ajuda de custo com a viagem, estadia e alimentação durante o festival. Finalistas de fora de São Paulo tem uma ajuda de 500 reais para a equipe toda, para todo o evento, independente de que parte do Brasil eles vêm. Finalistas e palestrantes estrangeiros têm cobertura em todos estes aspectos;
Tentativas de comunicação com o Festival através da página do facebook do mesmo e com membros do festival de forma privada foram ignoradas ou minimizadas com frases sem conteúdo e sem ação clara a ser tomada;
Pouco apoio para os desenvolvedores nacionais levarem seus jogos e terem booths para exibir (ano passado houve algo do tipo, mas foi sujeito a uma pré-seleção que veio dos runner-ups do festival, que tem critérios não transparentes, como citado acima).

2 Sugestões
2.1 Festival
Como serão tratados jogos feitos com apoio de editais, já que claramente não podem ser comparados com jogos feitos por estúdios completamente independentes?
Ter uma política mais clara e ativa da diminuição do conflito de interesses. Membros do conselhos, júri, direção e finalistas do festival não podem ter recebido apoio da Abragames e não podem concorrer à premiação. 
Corpo de jurados e de conselho deveriam ser mais diversos e menos obscuros. Os nomes dos mesmos devem estar visíveis e devem contemplar as diferentes associações regionais brasileiras além da Abragames, como o BIND, MIND, RING, AdJogos, PONG, GaMinG, entre outras.
Ter uma definição mais precisa do que é considerado "indie" para o festival pois no momento parece ser "qualquer jogo que nos convém";
Segmentar a premiação, para que possa incentivar desde estudantes e iniciantes, até “big players” da indústria nacional.
2.2 Palestras
Ter uma chamada aberta para palestras, das quais parte da programação deve contemplar;
É importante visar a maior participação de diversidade e inclusão de minorias sócio-políticas também na chamada aberta para as palestras;
É importante estimular desenvolvedores de diferentes áreas do Brasil, talvez até custeando a visita de alguns. O maior festival de jogos do Brasil tem que ser positivo para os desenvolvedores brasileiros, mesmo para os que não tenham recursos para comparecer (Talvez uma ajuda especial para região do nordeste). 
2.3 Big Starter 
Possuir um lugar para exposição dos jogos (ou seus respectivos trailers) concorrentes no festival.
2.4 Big Brands
Premiar jogos da Big Booth ou estudantes em vez de premiar jogos de grandes corporações no Big Brands, que presumidamente já foram pagos pelas mesmas.
2.5 Comunicação e tratamento da comunidade
Ter um momento (LIVE) ao final do evento para feedback junto com a pessoa ponte do Staff e devs;
Staff do Big Festival poderia se comunicar de forma aberta através de comunidades de discussão de desenvolvimento, como o Boteco Gamer, e com um perfil pessoal; 
Selecionar uma pessoa do Staff para ser a ponte junto aos devs;
Convidar membros da comunidade para ajudar na curadoria, seleção e premiação;
Abrir para discussão entre a comunidade decisões relacionadas a novos prêmios, novas áreas e ações;
A criação de uma nova área de exposição, de inscrição livre, a baixo custo e coletiva, que permita a participação de mais desenvolvedores. Acreditamos que esse modelo criaria um espaço mais informal e acessível tanto para o público quanto para estúdios menores, e ainda não exigiria um investimento muito grande por parte da organização.

Desta forma, tornamos público nosso descontentamento e expressamos nosso desejo de ver mudanças e melhorias o mais cedo possível.
Atenciosamente,

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Indie