Vários criadores brasileiros de jogos retrô são mais conhecidos fora do que no Brasil. Por Filipe Veiga

Filipe escreve sobre Alien Holocaust 2: Invasion Earth ter sido escolhido como melhor indie da BGS 2023 pelo site IGN Brasil

Filipe Veiga e Marcos Garrett concedendo entrevista ao IGN. Foto: Reprodução/YouTube

Filipe Veiga e Marcos Garrett concedendo entrevista ao IGN. Foto: Reprodução/YouTube

Filipe Veiga é desenvolvedor de jogos retrô português com brasileiros na Bitnamic Software. Ele escreveu, no contexto da Brasil Game Show, um texto sobre Alien Holocaust 2: Invasion Earth, que foi o indie brasileiro da maior feira nacional segundo o site IGN Brasil, o maior de notícias no país. Criado na Bitnamic, Alien é de Fernando “Cabelo” Salvio, que não esteve no evento por estar com covid. O texto foi publicado no Facebook.

O que é um Underdog dos Underdogs? Pois bem, eu acho que jogo o “Alien Holocaust 2: Invasion Earth” incorpora esse perfil.

Depois do clima pós-BGS começar a esfriar, o único jogo (realmente) retrô da Avenida Indie parece continuar invisível fora do seu meio retrô. Terá sido uma aberração, uma glitch da matriz com essa indicação da IGN Brasil? Um fenómeno tão incompreensível que o mais confortável para o ego é acreditar que não existiu? Porque o H.A.2 passou ao lado até de quem acompanha os indies mais obscuros?

A meu ver, isto acontece porque não existe uma comunidade uniforme e coesa. E sim bolhas de comunidades, distantes e alheias umas das outras, em maior ou menor grau. Separadas em geração, distância e cultura regional. Que mal se comunicam. Quando algo de relevante acontece numa bolha, a mensagem não é transmitida, ou se o é, não é compreendida. (O mesmo acontece dentro de subnichos do retrô, diga-se de passagem.)

Evidências empíricas que observei na BGS.

Evidência #1: A propósito de mostrar a edição 2022 da Micro Sistemas, mencionei, por duas vezes, o artigo do Lunar Axe, um adventure point & click com temática assente no passado histórico de São Luís do Maranhão, que causou alguma sensação no ano passado. Os meus interlocutores, supostamente perfis de comunicadores no meio, desconheciam por completo a existência deste jogo.

Evidência #2: Vários criadores brasileiros de jogos retrô são mais conhecidos no estrangeiro do que no Brasil. Citei um que quase ninguém reconheceu, o Amaweks, cujos jogos retrô, com uma pegada cultural muito forte e atípica, fazem tremendo sucesso entre os estrangeiros, apesar da maioria destes não conseguirem comprender grande parte das referências culturais.

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Filipe Veiga e Marcos Garrett concedendo entrevista ao IGN. Foto: Reprodução/YouTube

Filipe Veiga e Marcos Garrett concedendo entrevista ao IGN. Foto: Reprodução/YouTube

Não há ninguém isento deste tipo de falhas. A minha vista tem um limite de alcance e compreensão. Há muito que desconheço. Mas a avenida Indie foi um excelente pretexto para peneirar novidades. Lá está o que o retrô tem de bom: o lance primordial da preservação. Quem está no meio sabe que é uma compulsão em atingir a capilaridade máxima no acesso e preservação da informação. Foi assim que certo dia, o Lunar Axe caiu na minha peneira…

Isso foi um assunto que falei lá no meio da multidão, com uma pessoa que entende sobre isto. Se ela ler este post, saberá de imediato do que estou falando!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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