Indie Warehouse – hoje o dia começa triste. Por Renato Degiovani

A Indie Warehouse fechou em Brasília. Degiovani, pioneiro na indústria, comenta

Indie Warehouse. Foto: Reprodução/Facebook

Publicado originalmente no perfil de Facebook do autor

O mundo dos desenvolvedores de games é cheio de fantasias, sonhos e muita ousadia. Ainda assim ninguém nele está imune à dura realidade do mercado, que cobra resultados quase sempre imediatos e sem dar nenhuma contrapartida que amenize a sofrência daqueles que, apesar de tudo, ousam desafiar as mais duras regras de sobrevivência.

Não foi diferente com um grupo de desenvolvedores de Brasilia, que um dia sonhou em trazer para perto dos mortais, um pedacinho do paraíso imaginado por inúmeros profissionais da área. Um local para desenvolver projetos, para trocar conhecimento e experiência e acima de tudo compartilhar sonhos. E por um breve período de 2 anos esse paraíso foi real.

Lamento profundamente ter adiado por tanto tempo uma visita, que agora fica apenas na saudade. Talvez temesse ir e não querer mais voltar para a minha própria realidade mas não podemos deixar um acontecimento desses passar sem alguma reflexão, ainda que dolorida.

Certamente irão elencar razões para o fechamento deste empreendimento, tais como a distância dos grandes centros, a falta de investimentos tanto públicos como privados, a escassez de recursos, falta e políticas públicas e tantos outros que explicam mas não justificam.

Daqui de onde olho, me parece que existe um único culpado nesta não continuidade. Num espaço de coworking brasileiro de games é possível oferecer de tudo, como cursos, palestras, infra estrutura, debates, parcerias, etc. Mas não há como oferecer o mais importante para quem está ou pretende começar: um futuro plausível para os desenvolvedores.

Não é culpa do pessoal que ousou ir tão longe. A culpa é do mercado produtor como um todo, que mira em objetivos impossíveis, apoia-se em modelos ineficientes e principalmente não conta com uma força de divulgação a altura do que já foi feito até aqui.

Enquanto não for feito um mea culpa, por parte de todos os envolvidos e em especial por aqueles que detém algum poder de representação, continuaremos a patinar num lindo futuro que poderia ter sido, mas que morreu na praia (ou no lago).

Renato Degiovani é o primeiro game designer de jogos digitais, desde 1981. É colunista do site Drops de Jogos no espaço DEV.LOG, com textos regulares sobre sua experiência de décadas. Foi o desenvolvedor do jogo Amazônia, é conhecido na comunidade nacional do aparelho MSX, editou a revista Micro Sistemas e é responsável pelo espaço TILT Online.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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