Opinião: Pérsis Duaik é o nosso Desenvolvedor Brasileiro de 2015

Pérsis Duaik é paulistano, tem 31 anos, trabalhou no mercado financeiro, montou um estúdio de animação com irmão Ricardo após a morte do pai, em 2009, fechou a empresa e enfim tentou a área de games dois anos depois. No ano de 2014, fundou a Duaik Entretenimento e lançou Aritana e a Pena da Hárpia, um jogo com um índio feito em 2D e inspirado em clássicos do Super Nintendo como Donkey Kong Country.

Foto: Arquivo Pessoal

Com investimento de R$ 100 mil, o jogo foi premiado como o melhor da SBGames 2014 em Porto Alegre, no mês de novembro daquele ano. Um pouco antes, presente na Brasil Game Show (BGS) em seu pequeno pavilhão de indies, Pérsis Duaik deu entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo, alcançando um nível de exposição raro entre os desenvolvedores brasileiros na grande imprensa. Também foi eleito o jogo mais votado pelos visitantes do BIG Festival daquele ano.

Sua empreitada foi bem-sucedida? Em uma palavra: Não.

93% das cópias digitais de Aritana foram pirateadas via Steam. Isso quebrou financeiramente a iniciativa de Pérsis. Trabalhando na casa da avó junto com o irmão e um programador, ele não desistiu da cena brasileira de games e resolveu transformar seu fracasso em uma nova iniciativa.

Lançou no dia 11 de agosto de 2015 seu livro chamado "Jogos Digitais: Como Fazê-los?", que foi sendo escrito aos poucos, e com muito aperto financeiro, na Livraria Cultura da Avenida Paulista, com ajuda de outros livros de negócios. Na obra ele relatou o seu fracasso com Aritana e a Pena da Hárpia, que meramente copiava jogos que já existiam, e escreveu de maneira crítica sobre o mercado brasileiro. "Você precisa entender o público e de negócios para fazer um projeto dar certo. Apenas a visão artística não é suficiente", disse, na palestra de lançamento do livro.

O material foi vendido para pelo menos uma centena de pessoas, sendo 40 cópias vendidas na primeira semana. O livro se transformou em case para palestras. Pérsis falou durante o BIG Festival em São Paulo e conseguiu uma importante parceria para fechar este último ano.

Enquanto empresas como Behold Studios e Aquiris se aproximavam da Sony, Pérsis Duaik se tornou o primeiro embaixador oficial de jogos independentes da Microsoft no Brasil através do programa ID@Xbox. Representando a empresa fundada por Bill Gates, teve Aritana exposto durante a E3 2015, o maior evento de games do mundo, e seu game ganhou uma expansão exclusiva para o Xbox One (XONE) chamada Espírito de Fogo, com um modo mais difícil de jogo.

Graças a essa aproximação com a empresa americana, viajou até a sede em Redmond e conheceu as entranhas da Microsoft. Próximo à companhia de Gates, criou o projeto WOC e apresentou-o na segunda BGS com pavilhão indie. A iniciativa unia a realidade virtual do Oculus Rift com o sistema operacional Windows, tecnologias juntas no game Nove de Julho.

Ganhou, graças a essas iniciativas, um prêmio do chefe da divisão Xbox da Microsoft, Phil Spencer, por ter sido o primeiro brasileiro a abraçar as plataformas da companhia americana.

E, sem abandonar os aperfeiçoamentos de Aritana, Pérsis disse em recentes entrevistas à imprensa que se manterá no desenvolvimento de games que tragam temáticas nacionais.

Numa trajetória de tentativas, quedas e conquistas, Pérsis Duaik é o Desenvolvedor Brasileiro do Ano para o Drops de Jogos.

Ele é mais um sinal de uma transformação da cena brasileira de jogos eletrônicos rumo ao seu amadurecimento.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Indie