Paulo Luis Santos, do Flux Game Studio, fala ao Drops de Jogos sobre a expulsão da BGS

Após a expulsão do estúdio paulistano Flux na BGS 2017, o Drops de Jogos foi atrás de Paulo Luis Santos, fundador da empresa. A entrevista está a seguir.

Foto: Divulgação

Drops de Jogos: No momento que vocês mudaram de estande, a BGS impunha custos adicionais no contrato? Ou foi só falha de comunicação mesmo?

Paulo Luis Santos: O nosso erro foi não ter falado com a BGS ao mudar de estande. Fomos no calor do evento e mudamos. Deveríamos ter falado com eles e reconheço meu erro. O problema é que não houve oportunidade de dialogar, esclarecer coisas e trabalhar em busca de uma solução. É claro que nós não queríamos gerar problemas, mas sim fazer uma feira melhor. Infelizmente, sem diálogo não se soluciona nada.

DJ: Quando a organização se indispôs, vocês iam voltar para o estande e se mantiveram à disposição?

PLS: Sim. Eles ordenaram a retirada do estande bem no meio do campeonato de sexta. Conseguimos que aguardassem até o fim do campeonato. À noite, liberamos o estande completamente e guardamos nossas coisas em um espaço vazio que não foi vendido, que era nossa sugestao de solução para o desentendimento. Ele era do mesmo tamanho daquele que compramos. Neste meio tempo, procurei o atendimento ao expositor para negociar. Fui recebido pelo jurídico sem nenhuma abertura à conversa na primeira tentativa. Na segunda, com outra pessoa, o integrante da equipe BGS me escutou civilizadamente e ficou de levar a proposta para a direção. Foi aí que acabou de vez a comunicação: A direção não retornou, não atendeu telefone, não respondeu WhatsApp ou email – apenas botou quatro seguranças e um integrante do jurídico no nosso estande no sábado cedo para chutar a gente de lá. 

DJ: Vocês consideram o comportamento da feira inadequado com os indies? Falta diálogo num geral ou este foi um caso isolado?

PLS: Na minha visão, é natural haver problemas em um evento de grande porte. O que não é normal é não haver interesse em solucionar. Quando uma pessoa resolve empreender e entrar no mundo dos negócios, rapidamente aprende que sempre é possível conversar para achar soluções ganha-ganha para problemas inesperados. Só que, para dialogar, as duas partes precisam ter interesse em solucionar. Não foi o que ocorreu neste caso pois a outra parte não quis conversa.

Não posso falar pelos outros independentes, mas o Flux ficou perplexo com a decisão da feira de tratar nós, clientes deles, desta maneira.

DJ: Tem algo que eu não perguntei e você gostaria de falar?

PLS: O movimento de jogos independentes no Brasil está em um momento precioso, de união e crescimento em quantidade e qualidade – teremos cada vez mais jogos melhores desenvolvidos por aqui. É importante que todos os participantes de nossa indústria, sejam principais, sejam tangenciais, enxerguem o valor deste segmento importantíssimo, em franco crescimento – e nos tratem com o devido respeito.

O Drops de Jogos está entrando em contato com a BGS para ouvir o lado deles da história e dar igual espaço de exposição neste site.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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