Sobre What The Box, que chegou ao Switch, e sucesso comercial. Por Thiago Adamo

Prestigie o game brasileiro no console da Nintendo

Thiago Adamo e What The Box. Foto: Reprodução/Facebook

Texto originalmente postado na fanpage do autor no Facebook

POR THIAGO ADAMO, PXDJ, compositor de games no Brasil

Esse NÃO é um post pra me GABAR de ter um jogo com trilha minha no Switch
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É um post sobre como ir da merda completa a conseguir viver do seu sonho em poucos meses
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Esse sou eu com a maior cara de felizão com o What The Box no Nintendo Switch, esse foi o primeiro jogo que trabalhei que teve um verdadeiro sucesso comercial e pra falar mais preciso voltar a 2015, época que 100 dólares não valiam mais de 500 reais
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Eu trabalhava já efetivamente com áudio pra jogos, já tinha migrado de carreira, porém a empresa de jogos educativos que eu travalhava tinha decidido depois de dois anos de trabalho sólido parar com suas atividades.
Eu e o @thatdanielsnd em Maio daquele lançamos o Rocket Fist pra Steam, esse foi o nosso primeiro jogo comercial pra desktop, em Março do mesmo ano eu estive na GDC (com toda a pompa) no estande da Microsoft mostrando o jogo rodando num Xbox, tinha sido um sucesso com o público tudo pronto pra lançar pra PC e rolou uma baita esperança.

Eu era só esperança e orgulho!

Mas a real é que deu MERDA, o Rocket Fist foi mal no lançamento de PC, o Daniel estava aguardando seu visto pra poder continuar no Canadá, ou seja, teria que ficar um tempo sem trabalhar, eu estava fazendo algumas poucas trilhas de jogos educativos e a coisa estava começando a apertar, o suficiente para eu pensar em voltar a trabalhar com Ti pelo menos na metade do meu tempo
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Rolou aquela desanimada gigantesca!
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Ai depois de uns meses parados, o @kiliano do 365 Indies, um cara abnegado em divulgar jogos Indies que fez isso durante um ano no seu canal do youtube, resolveu fazer uma game jam e chamou o Daniel e eu pra participar, a expectativa era baixa, as a gente ia fazer, pois era esse tipo de paixão por fazer jogos, no meu caso áudio pra games que nos movia.

Na 365 Indies, fizemos em 9 dias o What The Box, um FPS de caixas que precisam descobrir outras caixas, eu no começo achei a ideia idiota, mas fiquei muito feliz por estar errado.

A ideia era pirar completamente, resolvi fazer uma música usando caixas de papelão como percussão e numa pegada meio Gorillaz inspirado pela música que tocava na série Weeds sem parar “Little boxes on the hillside…” eu fiz a música, nem escrevi letra nenhuma, gravei uma guia de voz, chamei o Daniel na madrugada dele no Skype pra gravar a voz dele sem ele saber.

Finalizada a loucura, ele gostou tanto que decidiu colocar aquela versão no jogo.

Aquele jogo feito em 9 dias, distribuído inicialmente de forma gratuita no Itch.io ganhou mais de 3 mil dólares em doações, e muitos videos de Streamers cantando e dançando a música tema do jogo, fato esse na versão da Steam seria feita por Pew Die Pie e os maiores youtubers gamers do mundo.

O jogo foi um sucesso absurdo pra gente no PC (anos depois o @gardenpawsgame veio nos mostrar que nem era tão sucesso assim), meses de sobrevivência foram faturados naquela primeira semana.

Aquele projeto simples com música engraçada e esquisita tinha conquistado muitos jogadores e foi assim no Xbox One e agora desde o último dia 30 no Switch.

Anos depois no mesmo console da Nintendo foi a vez do Rocket Fist ter sua redenção.

O papo sobre ter meu primeiro jogo pra Switch deixo pra outra hora…

A gente não tem nada de super especial, não somos os mais talentosos (nem os menos), mas a gente fez a parada com tanto amor e tão livremente que isso passou pro jogo e jogando depois de 4 anos ainda sinto a mesma felicidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.