O que a crise da economia brasileira diz sobre a importação para gamers. Por Yasmin Amaral, blogueira

Para os consumidores e desenvolvedores de games, é um péssimo momento o Brasil atualmente. Nesta semana, o dólar fechou em R$ 3,29 depois de disparar para acima de R$ 3,30. A Bovespa teve um momento de alta graças à China e uma acomodação da situação do Reino Unido. Mas a economia interna do governo Michel Temer complica a situação brasileira tanto no mercado financeiro quanto em seu desempenho real.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O consumo de peças e até tecnologia para desenvolvimento, além da importação de games é uma parte vital para manter a indústria aquecida. A economia atual acaba pode desistimular qualquer tipo de produção, inclusive a de jogos em todo o país.

 A evolução depende também de incentivos do governo, inclusive cultural. Isso parece estar em deterioração.

Para nós, consumidores de jogos, existem diversos problemas na alta do dólar, que já furou R$ 4 antes do início do processo de impeachment de Dilma Rousseff. Tais obstáculos começam com os jogos de tabuleiro e os de consoles, que são os que carregam mais taxas. Tudo ainda é taxado como jogo de azar, um atraso cultural, o mesmo tipo de imposto recai sobre video bingos e máquinas de aposta. Por conta do aumento extraordinário do preço do produto, a entrada desses produtos no país é dificultada. Mesmo os jogos produzidos em solo nacional possuem muitas peças importadas e é necessária a licença da produtora internacional.

Os jogos para PC chegam a ser mais baratos do que os de tabuleiro e console, pois eles recebem “apenas” um imposto estadual: O ICMS. Isso significa também que todo e qualquer produto de software, seja ele na nuvem ou em lojas digitais, como Google Play Store, App Store, Xbox Live Marketplace, Steam, PlayStation Store, entre outras, pode ficar mais caro a cada aumento na cobrança do ICMS. E, a cada aumento de imposto que é cobrado para a empresa, um novo valor deve ser repassado ao cliente.

Muitas vezes os gamers acabam recorrendo a pirataria dos produtos, uma vez que cada dia fica mais caro ter tudo original. Os softwares (por exemplo CDs de jogos para PC), são os mais envolvidos nessas transações ilegais e as empresas dos mesmos são as mais prejudicadas, tendo a mentalidade no interesse na diminuição dos impostos.

Os próprios consoles têm preço elevado em relação a todos os outros países em que são comercializados. Outra peça importante é a placa de vídeo que, como qualquer outro produto eletrônico, vive em desenvolvimento constante e exige atualização de seus usuários. Qualquer upgrade atualmente custa uma fortuna, o que faz muitos deixarem de acompanhar este mercado. Pequenas peças para desenvolvimento e placas para programação, como o Arduino, também mudam de valor constantemente.

A economia atual e as medidas sobre os jogos no Brasil não estão remando a favor da maré do desenvolvimento e crescimento dessa indústria no país. A posição governamental é contrária ao incentivo e a facilitação do comércio, o que poderia ser um fator decisivo para que mais pessoas se envolvessem com games, e de fato impulsonassem as nossas startups e o investimento por parte de grandes empresas aqui. 

Yasmin Amaral é autora do blog Metal On Metal e colunista no site Imprensa do Rock. Natural de São Paulo, atualmente estuda Análise de Sistemas e é apaixonada por música e games, principalmente os de tabuleiro.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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