Opinião: A imagem da mulher nos jogos e o Dia da Mulher. Por Fernando Mello de Amorim

Texto enviado pelo próprio Fernando ao Drops de Jogos.

Foto: Divulgação

Mais de 100 anos após a passeata das operárias em Nova York, as mulheres ainda enfrentam desigualdade e sexismo, um desses exemplos se encontra no meio de desenvolvimento de jogos

No dia 8 de Março é celebrado o Dia Internacional da Mulher.  Os anos passam e a data têm cada vez mais uma simbologia de celebração e homenagem do que quando foi originalmente oficializado em 1975 pela ONU, mas será este realmente o seu propósito original?

Há mais de 100 anos atrás, no dia 26 de fevereiro de 1909, ocorria em Nova York uma grande passeata de mulheres, as quais estavam em busca de melhores condições de trabalho. Quase 15 mil mulheres se mobilizaram em prol da causa.

 

Atualmente, no meio dos games presenciamos diariamente mulheres, tanto profissionais quanto jogadoras, buscando a cada dia seu espaço por direito no meio gamer. Contudo, o meio de desenvolvimento contribuiu inicialmente para que as mulheres ficassem longe desses espaços. Basta ver como inicialmente a heroína Lara Croft fora idealizada como alguém a ser “admirada” pelo jogadores, como uma mulher de beleza estonteante e que suas roupas curtas não foram pensadas no ambiente e no trabalho de exploradora. Isso foi pensado sim como uma personagem sexualizada para deleite da fantasia dos jogadores homens. Podemos analisar como esta mesma personagem mudou durante as décadas seguintes, até o Reboot de 2013, no qual a personagem é muito aprofundada psicologicamente e sua representação é mais realista e humanizada, com menos foco em seu físico.

 

Durante as primeiras décadas do início de desenvolvimento de jogos eram raríssimos os casos de personagens femininas que não sofriam com a famigerada sexualização ou que pertenciam a um arquétipo, como o de Damas em Apuros. Ao fim da jogatina era fácil de perceber que as personagens femininas eram muito mais objetos ou peças do cenário do que propriamente um ser daquele universo. Isso se dá pelo fato de que esses jogos foram conduzidos por um imaginário masculino clássico, no qual o homem era o herói que havia de salvar a donzela para ganhar seu amor, como em Mário, ou o amante que via sua amada ser brutalmente assassinada, desencadeando em seu processo de vingança e resgate de sua honra, como em Dante’s Inferno.

 

Com o passar dos anos e o aumento da presença feminina, tanto na indústria quanto no meio de consumo, a figura feminina teve sua representação expandida nos jogos. Já não é tão incomum encontrar heroínas de diversas etnias em jogos populares como Overwatch e League of Legends. Isso é algo fantástico para a indústria e algo a ser comemorado no Dia Internacional das Mulheres. Para que esse quadro seja expandido, precisamos cada vez mais incentivar a presença de mulheres nesse meio, pois todos ganharemos com novas visões de desenvolvimento, novas histórias a serem contadas e mais jogos para todos nós que amamos tanto esse universo desfrutarmos.

 

Por fim, continuemos lutando para que esse espaço seja cada vez mais igualitário e que todos que amam games possam se sentir confortáveis a serem quem são, jogando com seus personagens favoritos e sentindo-se respeitados. Feliz Dia Internacional da Mulher!

 

Para conhecer um pouco melhor o estudo, acesse o artigo A indumentária nos jogos digitais: Incoerências nas representações femininas nos anais da SBGames de 2016 no link a seguir: http://www.sbgames.org/sbgames2016/downloads/anais/156110.pdf.

 

Fernando Mello de Amorim é instrutor na instituição SuperGeeks.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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