Opinião: Na companhia da Sony, veremos um Hideo Kojima “independente”

O ano de 2015 foi acima das expectativas nos lançamentos de videogames. No entanto, foi um ano difícil para Hideo Kojima, a mente por trás da saga Metal Gear Solid, Zona of Enders, Smatcher e outros títulos da Konami. O parto de seu último game na Konami, uma empresa que ele estava desde 1986 como designer de jogos e planejamento, teve pelo menos um terço de sua história cortada e o time de criação não podia acessar a internet, de acordo com uma reportagem do jornal nipônico Nikkei.

Foto: Divulgação

Os boatos da demissão de Kojima da Konami surgiram em março deste ano, aprofundaram com as denúncias de trabalho abusivo em agosto e se confirmaram com a festa de despedida do executivo em outubro, de acordo com um reportagem da revista New Yorker. Neste mês de dezembro foi a primeira vez que ouvimos um comunicado oficial do desenvolvedor desligado de sua empresa antiga.

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Na empresa, Hideo Kojima criou Metal Gear para MSX influenciado por Pac-Man e Super Mario em 87, consagrou-se com a série Solid em 1998 ao introduzir atores profissionais e criou Zone of Enders como sua série de mechas, fora dos robôs bípedes com armas nucleares. Já indisposto em 2004, afirmou que Metal Gear Solid 3 Snake Eater seria seu último contando a história do vilão Big Boss. Vendendo cerca de cinco, seis milhões de cópias por jogo, a Konami pressionou o criador a focar esforços na saga de Snake, desenvolvendo até games para celular baseados no quarto episódio da série.

Dentro da corporação, a criatividadede Kojima, o melhor homem da Konami, estava limitada. Fora seu game, a empresa só fatura globalmente com Pro Evolution Soccer, o concorrente de FIFA da Electronic Arts (EA).

Recentemente comparei Hideo Kojima com outro gênio dentro da indústria, chamado Shigeru Miyamoto, o criador de Mario na Nintendo. Muitos discordam da comparação, mas acredito que o mentor de Metal Gear foi um intelecto imenso que a Konami perdeu por não saber reter talentos.

Kojima precisava de espaço para criar e isso não parecia ser uma realidade naquele meio. Isso se tornou claro em uma entrevista publicada na New Yorker no dia 17 de dezembro. "Toda vez que eu crio um jogo, eu sinto que será a última vez. É muito como uma mãe que não pensa em sua próxima gravidez até o fim do nascimento do filho. Eu não consigo pensar em outro game enquanto estou trabalhando em um", disse o desenvolvedor japonês nascido em Setagaya, região de Tóquio, no Japão.

O detalhe é que ele só pode falar de novos projetos. Por determinação contratual, a Konami proibiu ele de falar sobre o rompimento atualmente.

O Drops de Jogos, apurando a reportagem sobre o braço biônico que a Konami está desenvolvendo, comprovou essa decisão com lastro judicial. A empresa se recusa a comentar qualquer informação sobre Hideo Kojima.

Ao que tudo indica, o conturbado processo de desligamento de Kojima foi fruto de uma má prática de gestão de funcionários. Em uma empresa própria, associado com a Sony, veremos um Hideo Kojima mais "independente".

Seus jogos serão exclusivos para o PlayStation 4, muito provavelmente. Mas sua criação será mais livre. Veremos algo muito além de Metal Gear.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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