Opinião: O caos natalino do Steam e os desafios do futuro digital dos games

Numa bela noite de Natal, o Steam se tornou russo quando um usuário foi acessar o sistema. Era uma falha de linguagem? Não. Ele havia acessado uma conta de outro país. Por pelo menos uma hora no dia 25 de dezembro, começo da noite de Natal, os usuários da maior rede varejista de jogos na internet acessaram dados cadastrais sigilosos de outras pessoas por um bug na memória temporária do sistema.

Foto: Reprodução/Montagem

Para completar a salada mista, um grupo cracker chamado SkidNP fez ataques para sobrecarregar o sistema da loja e tudo ficou offline naquela noite natalina.

"Steampocalypse" e outros nomes bizarros foram usados para definir o incidente, aparentemente banal, no problema dos acesso. A questão que tornou esta notícia a mais relevante naquela ocasião é que nunca antes da rede pertencente a Gabe Newell da Valve havia enfrentado um bug tão intenso. E isso aconteceu justamente durante as promoções de Natal do Steam, a famosa campanha do "Steam Winter Sales", com jogos vendidos com descontos que vão de 20% até valores mais agressivos e compesadores aos gamers. 

Este tipo de falha, e suas consequências, se tornarão cada vez mais relevantes daqui pra frente na história da tecnologia.

O jornal New York Times publicou uma reportagem no dia 21 de dezembro entitulada: "Com a tomada dos downloads, a indústria dos videogames está num turning point". O texto é assinado por Nick Wingfield e mostra alguns dados interessantes sobre o avanço da cultura digital em direção ao comércio varejista.

De acordo com a reportagem, a Gamestop, uma das maiores redes de lojas do setor, amargou más vendas em novembro de 2015. Enquanto isso, a Electronic Arts (EA) afirma que já vende pelo menos 20% de seus games via donwload. Também no mês de novembro a Sony chegou em 30 milhões de unidades vendidas do PlayStation 4, marca que o PS2 levou pelo menos dois anos e dois meses para atingir. As vendas digitais no caso de outras desenvolvedoras além da EA chegam até patamares de 30%.

A procura pela mídia física caiu visivelmente, enquanto o interesse por consoles continua tão antigo quanto no período pré-Steam e pré-onda de varejistas online. A tendência é que a mudança não vai cessar tão cedo.

No Brasil. as vendas totais de Natal medidas pela Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) teve a maior queda em 10 anos, estimada em 1%. O PIB brasileiro terá uma provável recessão de 3% em 2015. Mesmo com as atuais adversidades econômicas, o Brasil registrou 26% de alta nas vendas online no combo de Black Friday e festividades natalinas segundo E-bit/Buscapé.

O digital, conforme mostram diferentes índices, é um caminho sem volta. E com este novo formato de transações no mundo dos games, criam-se novas vulnerabilidades. O Steam sempre foi reconhecido como um serviço top de linha no atendimento aos clientes, devolvendo valores e até mesmo realizando devoluções de jogos digitais sem maiores problemas.

No entanto, durante o problema técnico ocorrido na noite de Natal, a empresa responsável pela loja, a Valve, só se manifestou pelo menos quatro horas depois das mensagens registradas por usuários em inúmeros fóruns de discussão. Enquanto o silêncio permaneceu, muitas pessoas ficaram sem entender qual era exatamente o bug, enquanto sites jornalísticos recomendavam aos gamers distância do Steam naquela ocasião.

O comércio digital nos torna vulneráveis ainda. Ele reduz consideravelmente os custos de um game, da distribuição até o preço da caixinha, principalmente considerando o combo de impostos altos e dólar a R$ 4 no Brasil, mas cria novos desafios para o comércio de jogos. Empresas grandes como a Valve precisarão estar atentas para isso.

Muitos amigos passaram o Natal normalmente com jogos físicos que ganharam de presente. Outros, que tinham comprado games no Steam, passaram por um aperto imprevisível. A internet nos impõe mudanças para que a pessoa que se diverte digitalmente tenha o mesmo bônus que qualquer outro consumidor tem fora da rede.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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