OPINIÃO: Rockstar "sangrou" e GTA VI pode "quebrar" a indústria - Drops de Jogos

OPINIÃO: Rockstar “sangrou” e GTA VI pode “quebrar” a indústria

(Imagem: reprodução;/Youtube)

Acho que não é novidade pra ninguém o fato que GTA VI foi adiado mais uma vez. Mas uma coisa que muitos sites “esqueceram” de te contar é o motivo desse adiamento. O jogo não tá sendo adiado porque precisa de “mais tempo pra ser polido” ou coisa do tipo; ele tá sendo adiado porque a Rockstar vai precisar de mais tempo para lidar com um motim trabalhista que ela mesma causou.

Na mesma semana em que confirmaram o adiamento do game, a Rockstar havia demitido mais de 30 pessoas do estúdio, inclusive alguns desenvolvedores importantes que estavam na empresa há mais de uma década. O que pegou foi que essa não foi uma demissão em massa “padrão”, mas um movimento conhecido como union busting. Basicamente, a empresa descobriu que os trabalhadores estavam se organizando para se sindicalizar e ter um poder de barganha coletivo para negociar melhores contratos e condições de trabalho, e demitiu todas as pessoas que eram os “líderes” dessa organização. E, como esperado, isso criou uma crise interna na empresa – e muitos acreditam que o anuncio de um adiamento foi justamente para criar “pânico” na internet e abafar as matérias sobre essa crise que invariavelmente iriam aparecer.

Muito se especula sobre o futuro de GTA VI, um jogo que durante muito tempo foi um dos poucos da indústria que ainda poderia manter o status de “grande demais para falhar”. Mas os acontecimentos das últimas semanas mostraram que há uma chance sim de que ele possa falhar.

Lembra o final do filme 300, da lança de Leônidas que faz um corte no rosto do Rei Xerxes? Apesar de causar apenas um dano bem superficial, o golpe serviu para mostrar que o rei persa não era um deus invencível como a propaganda do exército deles tentava promover, mas um rei mortal como qualquer outro – e que, por isso, poderia ser derrotado. E o recente adiamento de GTA VI pode ser justamente esse arranhão que mostra que o jogo é passível de falhar como qualquer outro.

Ainda que ele continue sendo o jogo mais esperado do século (até aqui), o cenário nunca esteve tão favorável a um lançamento “fracassado”. A economia global – e principalmente, dos EUA – continua à beira de uma nova “depressão”, que pode ser causada a qualquer momento pelo estouro da “bolha” das IAs. neste contexto, GTA VI é indicado por muitos analistas de mercado como possivelmente o primeiro jogo que será vendido a US$100 – um aumento substancial do lançamento AAA padrão, que hoje está na faixas dos US$70. Soma-se a isso uma crise interna que, se não for resolvida de forma adequada, pode deixar o time de desenvolvimento ainda mais desanimado – e não seria estranho esse desânimo ser refletido em um menor esforço para encontrar e resolver bugs e problemas de performance que podem atingir o jogo no lançamento. Sem contar as novas regras do YouTube, que podem afetar diretamente o marketing orgânico do jogo.

E não podemos ignorar o contexto cultural: ao mesmo tempo que GTA VI será o primeiro jogo da franquia a ter uma mulher como uma das protagonistas, esta novidade chegará ao mercado em um momento muito específico da “guerra cultural” onde qualquer jogo é denunciado como “lacração” apenas por conter qualquer personagem feminino ou queer em uma posição de destaque. E, normalmente, essas “denúncias” são seguidas de uma campanha de desinformação criada para pintar o jogo como um “fracasso” e mostrar pra indústria que “quem lacra não lucra”. Um exemplo claro disso é Ghost of Yoteique é um dos lançamentos de maior sucesso da história da Sony, mas é constantemente vendido como um “flop” por uma série de influenciadores que tem interesse em criar esta narrativa pelo único motivo do jogo ter uma personagem mulher como protagonista (e a dubladora dela ser abertamente uma ativista queer).

Mas o que significará GTA VI ser um fracasso? Provavelmente a última pá de cal em uma indústria que já se encontra em frangalhos. Assim como o fracasso do jogo de ET quase quebrou toda a indústria de videogames na década de 1980, o fracasso de GTA VI pode ruir de vez todo o modelo de desenvolvimento baseado em AAA – aqueles jogos que recebem centenas de milhões de dólares em investimento e são desenvolvidos com as mais recentes tecnologias e que tem como público alvo literalmente “todos que jogam videogames”. Ano após anos, o que não faltam são exemplos de que, hoje, fazer um jogo pra agradar todo mundo é no fim no não agradar ninguém. E um lançamento fracassado de GTA VI nesse contexto pode significar um baque enorme não apenas nas estratégias da Rockstar, mas da indústria como um todo.

Na prática, as chances do novo GTA ser considerado um fracasso ainda é mínima. Mesmo com crise econômica, mesmo se lançar custando o dobro do preço de qualquer outro jogo, a expectativa sobre ele é tanta que dificilmente ele não será um dos maiores lançamentos de todos os tempos (em matéria de número de cópias vendidas nas primeiras 24h). Mas a questão é que isso não é mais uma certeza – apenas uma grande possibilidade. O “deus” sangrou, e lembrou toda a indústria de que mesmo o jogo mais “blindado” contra polêmicas já existente ainda possui uma pequena chance de acabar sendo considerado um fracasso. E isso deveria deixar todos os grandes CEOs da indústria aterrorizados.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Jhonata

Se sangra pode ser morto