Você conhece as grandes conquistas da Nintendo durante o período de Satoru Iwata?

De programador a CEO, a trajetória do ex-presidente sempre esteve associada à criação de jogos.

  • por em 16 de julho de 2015
Imagem: Arte de Chris Perez, no Tumblr Elstrawfedora

Satoru Iwata, o recém falecido CEO da Nintendo, tem uma história pessoal  pouco divulgada, de dedicação e amor pelos jogos digitais. Sua trajetória inclui sucessos e também tropeços, sempre buscando oferecer uma experiência rica para os jogadores. Nesse artigo, elencamos os principais momentos da vida profissional do brilhante executivo, que recebeu toda sorte de reconhecimentos e honrarias por ocasião de sua morte.

Iwata nasceu em 6 de dezembro de 1959, na cidade de Sapporo, no Japão. Ainda jovem, iniciou sua carreira após sua formação em Ciência da Computação no estúdio HAL Laboratory, subsidiária da Nintendo, onde criou os primeiros projetos com games, a exemplo de "Balloon Fight", "NES Open Tournament Golf" e "EarthBound". O primeiro veio para os arcades em 1984 e, no ano seguinte, chegou em cartucho para o console doméstico NES. Como o próprio nome revela, trata-se de um jogo de mecânica simples, que sugere uma disputa na qual você controla dois balões em pleno voo, com o objetivo de estourar os infláveis adversários. Embora não fosse sofisticado, o game foi responsável pela definição na carreira de Iwata, que daria sequência a estas ideias de simplicidade e facilidade de uso e diversão, desenvolvendo ou participando de projetos de games por toda a sua vida. 

EarthBound por sua vez, conhecido no Japão como Mother 2, é lembrado pelos problemas de codificação, e foi Satoru Iwata quem reescreveu a programação do jogo, linha a linha, pouco antes do lançamento oficial do projeto. "De acordo com a minha memória, naquele momento o projeto não estava nem perto de sua finalização", comentou o desenvolvedor em uma entrevsita concedida em março de 2013. "Então, a primeira coisa que eu disse para Itoi-san [game designer e roteirista] foi: 'Eu não acho que você será capaz de terminar se você continuar assim' […] E disse […] 'Eu posso ajudá-lo se você quiser, mas há duas maneiras de proceder: se usarmos o que você tem agora vai demorar dois anos para corrigi-lo. Se pudermos começar de novo, vai levar meio ano' […] Exatamente um mês depois nós tínhamos a rolagem do mapa funcionando e mostramos para a equipe de Itoi-san. Eles ficaram chocados", rememorou.

O profissional ainda teve envolvimento com a produção de games como a mascote Kirby, Super Smash Bros. e aventuras de Pokémon, para Game Boy Color in 1999 e Game Boy Color, entre outros, embora não estivesse diretamente ligado a alguns desses projetos. Em 1992, em meio à ameaça de bancarrota do estúdio HAL, que passava por grandes dificuldades, o programador deu lugar ao então empossado presidente da companhia, que mostrou-se capaz de afastar o fantasma da crise, administrando  o estúdio com sabedoria e firmeza, salvando-a de um potencial colapso financeiro. Foi nesse ponto que as habilidades de liderança e a perspicácia do executivo chamaram a atenção do então presidente da Nintendo, Hiroshi Yamauchi. 

Em junho de 2000, foi nomeado diretor da Nintendo e, em maio de 2002, chegou ao cargo de presidente, com o anúncio de aposentadoria de Yamauchi, assumindo como o quarto presidente da empresa, que conta com mais de 125 anos de história. Iwata permaneceu no cargo por 13 anos, com um histórico de conquistas e desafios, como o lançamento do console GameCube em 2001. A despeito do momento incerto do mercado, o lucro alcançado chegou 41% para  a Nintendo durante aquele ano fiscal. O profissional esteve diretamente envolvido na produção de games como Metroid Prime, Animal Crossing, The Legend of Zelda: Wind Waker e Super Mario Sunshine, todos para GameCube. 

Já em 2004, o presidente da Nintendo bancaria o lançamento do enigmático console portátil DS, aparelho recebido com ressalvas pelos críticos do mercado pelo fato de possuir duas telas para interação. Games como Mario Kart DS, Scribblenauts, Nintendogs e New Super Mario Bros, entre outros, mostraram como o design criativo era capaz de trazer riqueza e novidade para os jogadores e provaram que o aparelho tinha tudo para se tornar o dispositivo portátil de maior sucesso na história da empresa. 

Em 2006, após os difíceis anos com os consoles Nintendo 64 e GameCube, Iwata investiu, já como CEO da empresa, no lançamento do console Wii e sua ênfase nos controles com acelerômetro. O resultado foi uma revolução de mercado, que levou gigantes como Microsoft e Sony a buscar alternativas próprias para fazer frente a um equipamento que oferecia gráficos muito inferiores, mas diversão garantida para a família, propostas que a Nintendo manteve marca da empresa nessa trajetória.

Nos últimos anos, a Nintendo de Iwata permanecia na briga para manter relevantes seus consoles mais recentes, Wii U e NIntendo 3DS, que tiveram receptividade mais fria dos jogadores atuais. O Wii U jamais conquistou o coração dos jogadores como fez seu antecessor; basta comparar os números: enquanto o Wii chegou à marca do 100 milhões de aparelhos vendidos, seu sucessor, Wii U, não passou dos 10 milhões no total de vendas. A estratégia adotada para o 3DS, no entanto, mostrou-se apropriada e Iwata teve que vir a público para oferecer um corte significativo no preço do dispositivo, fazendo com que o aparelho voltasse a dominar o segmento.

Por tudo isso, uma de suas frases mais típicas e recorrentes se faz plenamente alinhada com o trabalho sério e a dedicação sempre predisposta do ex-presidente da Big N: "No meu cartão de visitas eu sou um presidente corporativo. Na minha mente, sou um desenvolvedor de jogos. Mas no meu coração eu sou um gamer."
A comunidade de jogadores agradece por seus anos como profissional e gamer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Categorias:
Indústria