Análise: Pixel Ripped 1978 na ‘Folha’ reforça o destaque dos indies brasileiros na mídia

O jornalismo nacional deve se pautar pelas qualidades narrativas, educativas e comerciais dos games brasileiros e menos pelo sensacionalismo dos programas policialescos da TV.

  • por em 19 de julho de 2023

Imagem: fotomontagem

A indústria brasileira de jogos digitais tem conseguido ampliar sua presença na grande mídia de forma tímida mas consistente, o que é um ótimo termômetro de sua importância para a o público em geral.

Os sites especializados em games têm conseguido auxiliar nesse sentido, levando informações sobre a produção brasileira de games aos veículos de massa, a exemplo de 2019, quando a Folha de S. Paulo destacou o game Árida, do estúdio soteropolitano Aoca Game Lab, na capa de seu caderno de cultura, ou em dezembro passado, quando a Veja publicou a notícia sobre o lançamento do game Lula na Rampa, de Thiago Trindade Lula da Silva, neto do atual presidente da república, ambas as notícias veiculadas nesse Drops de Jogos.

O site da TV esportiva ESPN também já reproduziu matérias do Drops, como a defesa do advogado Helio Tadeu Coelho aos direitos e à CLT para ciber-atletas e em outros dois artigos, reproduzidos parcialmente nas imagens abaixo.

Essa semana, o Combo, newsletter da Folha de S. Paulo dedicada aos jogos, trouxe suas impressões sobre Pixel Ripped 1978, game mais recente da desenvolvedora Ana Ribeiro, produzido pelo estúdio brasileiro Arvore e publicado pela Atari.

A análise do jornalista Tiago Ribas avalia os acertos e lapsos da aventura em 3D pelos ambientes da criadora do Pong, “quando a Atari, publicadora do título, dominava o ainda incipiente mercado de consoles”, como afirma o texto.

“Há diversas referências a jogos famosos para os consoles da marca, como “Centipede”, “Haunted House” e “Space Invaders [e] nesses trechos brilha o excelente design de som do game. A atenção a detalhes, como o barulho do ar condicionado dentro do escritório da Atari, com a ótima imitação do áudio sintetizado dos jogos antigos, ajudam o jogador a se sentir imerso nessa versão virtual dos anos 1970”, enaltece o artigo.

É significativo que cadernos ligados às novas mídias em veículos tradicionais dediquem espaço aos games, tendo em vista que, mesmo sendo a produção cultural mais rentável da atualidade, esses projetos ainda sejam alvo frequente dos deprimentes espetáculos policialescos que vigoram nas tardes televisivas do Brasil outras partes do mundo.

Que o jornalismo nacional se paute cada vez mais pelas qualidades narrativas, educativas e comerciais dos games brasileiros e menos pelo sensacionalismo das chamadas falaciosas e ofensivas de tais programas.

Imagem: fotomontagem

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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