Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
No dia 28 de março de 2025, o Drops de Jogos publicou a seguinte reportagem: “Responsável pelo fiasco com Zeenix, dona da TecToy tem três outras empresas no mesmo endereço“. O texto teve ampla repercussão. Nos comentários, muitos questionaram a escolha do título, afirmando que diferentes empresas ocuparem o mesmo endereço não constitui crime.
O papel de uma reportagem não é agir como Ministério Público ou como a Justiça e determinar ilícitos. A apuração do DJ se pauta no interesse público e na transparência. O Zeenix, PC portátil anunciado pela TecToy, foi o principal produto da primeira Gamescom Latam no Brasil. Em todos os meios se perguntaram o preço do produto em suas duas versões.
A versão Lite foi anunciada por R$ 3299 e o Pro sequer chegou ao mercado. O Drops de Jogos trouxe os motivos para que a empresa não trouxesse essas informações ao público.
Isso foi assunto em um vídeo que fiz para o canal Meteoro Brasil, com quase dois milhões de inscritos.


Os irmãos Valdeni Rodrigues, TecToy, e Gilberto Novaes, da Transire. Foto: Divulgação/Montagem Pedro Zambarda/Drops de Jogos
A “liderança paralela” na TecToy
A reportagem abre com essas frases: “Valdeni, apague agora a sua conta no X”, diz o empresário, com voz dura, em uma reunião tensa, na sede da TecToy em São Paulo. A reunião entre Valdeni Rodrigues, CEO da empresa, e seu irmão Gilberto Rodrigues Novaes foi descrita como “tensa e definitiva”.
Essas informações foram checadas e rechecadas. A TecToy até agora não nega as informações e nem o seu teor.
A conversa se deu após o dia 27 de novembro de 2024, repercutindo uma reportagem publicada por este DJ sobre o CEO da TecTou. No nosso texto, Valdeni Rodrigues, o CEO com experiência em empresas como IBM, Compuware, PTC e MSC, aparece em posts na rede X/Twitter com mensagens machistas, atacando a China e o filme Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar e estrelado por Fernanda Torres. A TecToy está comercializando o computador portátil Zeenix que é um white label chinês. O conflito entre o executivo anti-China e o produto é óbvio.
Gilberto Rodrigues Novaes, o “Giba”, é o dono de um grupo chamado Transire, de maquininhas de cartão, que comprou a TecToy – e é seu verdadeiro dono. As pessoas que trabalham na empresa dizem que é ele quem realmente lida com o dia a dia, toma as decisões que são mais sensíveis, exercendo uma gestão que mostra as relações políticas que ele tem no estado do Amazonas e, sobretudo, em Manaus. Giba tem até uma sala própria.
Valdeni, embora CEO, obedece às orientações do irmão. Por isso, assim que Giba decidiu, sua conta na rede social foi retirada do ar. E iniciou-se dentro da TecToy uma corrida para tentar arrumar uma enorme crise de reputação, enquanto a reportagem do Drops de Jogos era repercutida no portal Terra, no Tecmundo, no Omelete e em diversos sites, além dos YouTubers.
O labirinto de empresas envolvendo a TecToy
TecToy está localizada, após a aquisição pela empresa das maquininhas de cartão, na rua Fernando de Albuquerque, perto do Shopping Frei Caneca e da estação Consolação de metrô. Outras empresas, que tem áreas de atuação distintas, estão nos mesmos endereços, seja sede ou filial.
Estão, junto da TecToy: Transire, de pagamentos, dona do grupo, e a Amazonas Inovare, software. A Victum, empresa administrativa, de RH, está na Rua Santa Monica, em Cotia, outra cidade de São Paulo, onde está uma filial da Transire e também da TecToy.
As mesmas empresas possuem subsidiárias em Manaus. No Amazonas, a Victum está na Avenida Mário Ypiranga e a Amazonas Innovare está na Avenida Mário Andreazza.
As duas empresas estão há 15 minutos de distância. Estão no Distrito Industrial que abriga a maior parte das fábricas da Zona Franca de Manaus.
É dito que essas subsidiárias foram colocadas no estado do Amazonas para usufruir da Lei nº 8.387/1991, a Lei de Informática da Zona Franca de Manaus. A Amazonas Inovare se beneficia de incentivos fiscais para desenvolvimento tecnológico.
As companhias têm sedes próximas, muitas vezes no mesmo endereço, para buscar incentivos tributários? E qual é a lógica de uma empresa de maquininhas de cartão de crédito e débito estar na mesma sede de uma empresa de videogames?
Gestão amadora do Zeenix
Recentemente toda a equipe de marketing pediu demissão do grupo responsável pelo Zeenix. A TecToy não responde mais aos pedidos de entrevista da imprensa. A única entrevista concedida foi ao site IGN Brasil, para acalmar o mercado. Os interesses da Transire, que explodiu na venda de máquinas de cartão de crédito e débito para PagSeguro, Stone e Safra, certamente não é permanecer no setor de videogames se isso render publicidade negativa.
Quando o Zeenix estava na crista da onda, chegaram a sustentar um perfil chamado TecToy Automação. Quando a imagem entrou em crise, abandonaram a conta no Instagram. Eles parecem, de fato, tratar o Zeenix, um produto simples de ser vendido, como um experimento de startup, algo para não investir.
Por que então alimentaram as expectativas do público?
Outro lado da TecToy
Repetimos: O Drops de Jogos buscou contato com Gilberto Rodrigues Novaes, o Giba, e fizemos essas perguntas:
1 É verdade que você tinha uma sala para coordenar as atividades da TecToy e orientava seu CEO, Valdeni Rodrigues?
2 É verdade que os tuítes de Valdeni arranharam a reputação da TecToy e você o orientou a apagar as mensagens?
3 Por que a Transire tem sede no mesmo endereço da TecToy em São Paulo e as empresas do grupo possuem sedes iguais ou próximas em cidades como Cotia e Manaus?
4 Tem algo que eu não perguntei e você gostaria de acrescentar?
Drops de Jogos buscou também a comunicação com os seguintes questionamentos:
1 O Zeenix Pro terá preço anunciado quando?
2 A campanha de marketing dos modelos Zeenix foi errática? Por quê?
3 Por que o CEO Valdeni Rodrigues nunca respondeu sobre suas mensagens no X/Twitter?
4 Tem algo que eu não perguntei e você gostaria de acrescentar?
Até agora, não recebemos resposta.
Veja nossa campanha de financiamento coletivo, nosso crowdfunding.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.