Opinião – Sim, Hideo Kojima é um desenvolvedor de jogos de esquerda. Por Pedro Zambarda

O aniversário de Metal Gear Solid V trouxe reflexões importantes sobre as mensagens políticas em seus games

Hideo Kojima na turnê de lançamento de Death Stranding: Com Che Guevara e na Rússia. Foto: Reprodução/Instagram

No dia 1º de setembro Metal Gear Solid V The Phantom Pain completou cinco anos.

No último sábado (19) participei de um workshop de formação cultural em jogos do BoJoga realizado com apoio da Prefeitura de Fortaleza, Ministério do Turismo e governo federal. Foi uma discussão sobre ativismo político e games políticos com o Daniel Valentim.

No debate, além da questão da polarização entre esquerda e direita, concordamos que o mercado ganha com uma diversidade maior de games que abordem essas questões ideológicas independente do público gostar de forma direta desses temas. E, ao longo da conversa, defendi que o famoso designer Hideo Kojima, idealizado pela grande indústria, pode ser enquadrado, sim, como um dev de esquerda, ligado a ideias progressistas e críticas ao capitalismo.

Não necessariamente ao socialismo ou ao comunismo, uma vez que Kojima transformou-se numa marca comercial altamente rentável com seus títulos. Mas há mensagens políticas críticas ao capitalismo muito claras em sua obra – bem como uma gramática própria na gameplay que critica jogos violentos que normalmente agradam ao público norte-americano.

YouTubers como Michael Saba (ex-CNN) e o canal Futurasound Productions fizeram novos videoensaios que destrincharam os ideais progressistas de Kojima em Phantom Pain, nos jogos anteriores e no novo game Death Stranding.

O material está em inglês. Mas vale ser visto.

Em MGSV, há linguagens críticas ao colonialismo europeu e ocidental nas referências ao livro Moby Dick, assim como referências à sociedade de controle na obra 1984 de George Orwell. Death Stranding já engloba ideais da ecologia e pune a violência militarizada que era enfatizada na saga Metal Gear.

Há uma leitura nos dois canais de YouTube que Kojima critica tanto o imperialismo norte-americano pós-11 de setembro quanto a remilitarização do Japão na Era do premiê Shinzo Abe, incentivada sobretudo pelo então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Para quem não sabe: Após as bombas nucleares e Hiroshima e Nagasaki, o Japão foi proibido de ter um exército por imposição dos EUA. No entanto, com a ascensão da China e da Rússia, os americanos foram aos poucos quebrando os antigos pactos para ganhar um aliado militar na região.

E isso vai contra os ideais pacifistas e antimilitares de Hideo Kojima, um japonês que cresceu nos anos pós-Segunda Guerra Mundial.

O que Kojima fez dentro de sua crítica à esquerda foi diluir essas mensagens em sagas e games que reúnem elementos da cultura pop, o que torna seus jogos rentáveis.

As histórias de Snake, de Big Boss e de Sam Porter Bridges têm referências à David Bowie, ao filme Fuga de Nova York e muitas outras. Isso torna a crítica presente em seus jogos menos panfletária e mais subjetiva. Através de metáforas e alegorias, como o grupo dos Patriots que controla o Estado americano, o Snake de Hideo Kojima critica o totalitarismo de governo e o que podemos definir como fascismo.

Kojima também não deixou de fazer referência à figuras de esquerda em seus jogos. Em Metal Gear Solid Peace Walker (2010), o anti-herói Big Boss se identifica com a guerrilha latino-americana e é associado ao guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, um dos autores da revolução socialista em Cuba.

Che foi relembrado por Hideo Kojima durante a turnê de lançamento de Death Stranding no seu Instagram – para o desespero de gamers que não querem abordar assuntos políticos.

Ao contrário de desenvolvedores de jogos que preferem defender o status quo, Kojima nos convida para a crítica do sistema, mesmo que erre o tom em alguns casos – principalmente na representação problemática e objetificada de mulheres na saga Metal Gear.

E é sempre bom existir crítica de esquerda dentro da indústria de jogos.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Zyon Exe

Que bom q ele soh faz jogo de vídeo games hauhauhauahuahuh. Soh de pensar q o cara da moral pra esquerda q soh tem assassino e/ou mau caráter da até um asco.

Juliano Oliveira

Tenho certeza que você não tem a menor idéia da diferença entre os ideais de direita e esquerda… Fica arrotando a palavra “comunista” igual papagaio pra vencer algum debate político. Então recolha-se a sua insignificância e joga teus joguinho de “esquerda” calado aí.

Protótipo K9

Esquerdista e isso mesmo, não aguenta e já vai querendo ofender kkkkkkk.

Ricardo Barbara

Historicamente, a Direita tem muito mais assassinos e mau caráter. Hitler, Mussolini, Pinochet, Franco, Salazar…..a maioria das ditaduras do século 20 foram de Direita…..

Roberto de Andrade

Nazismo e fascismo tem bases idealizada no socialismo, sem contar que os maiores assassinos da história foram Stalin, Mao, Fidel e as ditaduras socialistas africanas.

Guto doidão

meu caro não é pq o nazismo surgiu do partido nacional-socialista que ele tem base no socialismo… uma coisa não tem necessariamente a ver com a outra. Apenas a grafia é parecida e SÓ… o partido nacional-socialista alemão tem outros preceitos e diretrizes… pelamor cês falam mta besteira. Gamer abre a boca pra falar de política só fala merda. Aonde vc leu que Fidel foi um dos maiores assassinos da história?? Vc tem fatos comprovados e fontes seguras?
Ditaduras de esquerda ou direita são e foram terríveis, mas precisa estudar um poquito más antes de pôr o Fidel aí nesse bolo. E a rigor todo chefe de Estado é assassino, já que o Estado tem o monopólio da violência. Inclusive, o Brasil é o país que mais mata ativamente sua população, basta procurar nos documentos gerados pela ONU, Unicef ou mesmo nos Mapas da Violência.
E pra fechar… a concorrência é grande pelos “maiores assassinos” da história, mas ouso dizer que essa pecha e honra fica pros impérios europeus capitalistas durante a mercantilização, colonialismo e, posteriormente, neocolonialismo. Todos os processos coloniais nas Américas e África foram genocidas, dizimando populações e escravizando outras…

Jeferson Gabriel

na verdade, a relação entre o nazismo e a esquerda não está no nome do partido, mas no fato da economia baseada no ” real socialismo” e por ser um movimento revolucionário, onde é de fácil assimilação com a esquerda, nos casos da revolução na russa, chinesa, cubana, Vietnã, já que diferencia da direita por ser conservador, que é onde está a real diferença.
No argumento que você usou sobre o Brasil… quem estava na presidência e em outros cargos politicos, eram em sua maioria cargos que definiam-se como esquerda do mais moderado ao mais radical, então…
Com relação aos “maiores assassinos” você querer comparar Mao, Stalin, Tito com colonialismo e neocolonialismo é uma piada, não é?
E com relação ao Facismo pega o argumento de Nikolai Bukharin um pensador de ESQUERDA.

Guto doidão

eita tem nome pra encher essa lista aí hein