Eu sempre tive um único problema com a Fórmula 1 como esporte: algo que se baseia em pessoas entrando em um foguete sobre rodas e fazendo curvas a mais de 300 km/h nunca deveria ser tão chato. E esse é justamente o problema que F1: O Filme mostra que é possível resolver apenas se abandonarmos toda noção de realismo.
Como esporte, a Fórmula 1 deveria ter tudo para ser o maior do mundo: os pilotos são celebridades interessantes por si só; as tretas entre eles (e entre as equipes) são verdadeiros “top 5 momentos do Big Brother Brasil” no quesito drama; o conceito de carros fazendo curvas a 300km/h é algo que qualquer pessoa conseguiria achar interessante na teoria.
Mas o problema da Fórmula 1 como esporte é justamente quando a gente sai dos bastidores e da teoria e vai para a pista. De novo, um esporte que consiste em foguetes com quatro rodas não deveria ter a audácia de ser tão chato de assistir – mas a Fórmula 1 é extremamente audaz.
Com exceção de alguns momentos da história que são hoje lembrados como verdadeiros clássicos do esporte e inspiram filmes, a temporada regular da Fórmula 1 é tão divertido quanto assistir ao competitivo de Kerbal Space Program. Claro, você pode ser aquelas pessoas que são “engenheiros por natureza” e acham altamente excitante corridas serem decididas menos pela habilidade dos pilotos e mais pelo design da peça que permite a passagem de ar ou o planejamento do uso de pneus. Mas aí, meu amigo, o problema é você. Pra mim, um esporte cujo conceito base são carros fazendo curvas a 300 km/h não deveria nunca ser decidido pela quantidade de pneus usados durante a corrida.
E F1: O Filme se destaca justamente por isso. Joseph Kosinski entende que, na teoria, as corridas de Fórmula 1 deveriam ser muito mais excitantes do que são na prática. Ele sabe tanto disso que ele inclusive tira sarro disso no próprio filme. E o diretor que já tinha sido indicado ao Oscar de Melhor Filme por Top Gun: Maverick segue a mesma cartilha: esquecer o realismo, focar em entregar as melhores cenas de velocidade que você já viu na vida.
F1: O Filme definitivamente não é o melhor filme da categoria, e não tem chances reais nenhumas de levar a estatueta pra casa. Mas é bem possível que, no fim das contas, este seja o filme mais legal de assistir de toda a lista de indicados. Ele não tem um roteiro incrível e nenhuma atuação de destaque, mas é o tipo de filme que você vai ficar o resto da vida indo procurar uma cena específico para reassistir no YouTube quando estiver precisando de um pouquinho de dopamina no seu dia.
*F1: O Filme pode ser encontrado no catálogo da AppleTV
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.


Isso é um mero gosto pessoal.
Não merece ser tratado como matéria.
Amigo, não sei se você percebeu, mas isso é uma resenha sobre o filme. Toda resenha é sobre “gosto pessoal”, e quem te falar o contrário está mentindo. Abraços!