Opinião – A demissão da apresentadora da Xbox e a cobertura covarde da mídia

A cobertura foi covarde, insossa, superficial. Como é de praxe

O posicionamento da Microsoft sobre a demissão de Isadora Basile. Foto: Reprodução/Twitter

Por Pedro Zambarda, editor-chefe do Drops de Jogos

A apresentadora Isadora Basile foi demitida pela Microsoft na última sexta-feira (16). A cobertura da imprensa sobre o caso saiu do nicho e saiu nos principais portais de notícias, dos gerais aos especializados. IGN Brasil, Start UOL, Portal Terra, The Enemy, Voxel, Exame e muitos outros deram a informação. Alguns deles com informações direto da própria Isadora.

Pequenos e médios sites também repercutiram a notícia, como este que você está neste momento.

A Microsoft também se manifestou para a imprensa, falando, além dos ataques machistas que Isadora sofreu no último mês, sobre “mudança de estratégia” da empresa.

Mesmo com todas essas menções, sou obrigado a achar que a cobertura de mídia, num geral, foi covarde.

Explico.

Quando critico a imprensa de games nas minhas redes sociais, algumas pessoas acham que me refiro apenas aos grandes portais de jogos no Brasil. Para dar nomes aos bois: IGN, The Enemy, Voxel e UOL.

Isso é verdade e ao mesmo tempo não é, muitas vezes. No caso de Isadora Basile, eles cobriram o assunto.

O problema é que a imprensa especializada em jogos também envolve grandes YouTubers no Brasil. Para das nome aos bois: BRKsEDU, CellBit, Coisa de Nerd. Citei os que vasculhei nas redes algum posicionamento sobre o caso.

Spoiler: Não há nenhum.

E por que isso acontece?

Isso acontece porque a cobertura e a divulgação de jogos no Brasil envolve um pesado pacto silencioso entre marcas e veículos de comunicação. Para portais de notícias, há uma pressão maior por imparcialidade num caso desses. Agora, no que se refere aos YouTubers, se eles correrem o risco de perderem patrocínio por um posicionamento contra o machismo, eles preferem o silêncio absoluto sobre o assunto.

Rompido o pacto, você perde dinheiro, essencialmente.

Cumprem o pacto silencioso que as marcas e patrocinadores impõem – coisa que este site e outros, felizmente, nunca toparam.

Ainda sobre quem cobriu o assunto, muitos dos portais não citam a ligação da demissão de Isadora Basile e a queda do canal Xbox Mil Grau. Não citam nem mesmo para refutar essa hipótese.

Aos fatos: Os donos do canal Xbox Mil Grau perderam suas contas no Twitch e no YouTube, além do direito de usar a marca Xbox, graças a uma pressão intensa de jornalistas, veículos de comunicação, mulheres e LGBTs que se sentiram atacados pela dupla. Em represália, eles continuam nas redes insuflando ataques contra a imprensa e influenciadores digitais. Antes desse caso, os YouTubers receberam incentivos da própria Microsoft para ir até a E3.

Direta ou indiretamente, o Xbox Mil Grau provocou a demissão de uma apresentadora que estava apenas fazendo seu trabalho.

E eles só incentivam ataques porque há, sim, um imenso silêncio entre muitos influenciadores nos meios de comunicação.

Por isso, a cobertura de mídia no caso da demissão de Isadora Basile foi, para dizer o mínimo, covarde.

Covarde, insossa, superficial. Como é de praxe.

Quando a notícia sobre a demissão se espalhou, meu amigo Anderson, dono do perfil GamerAntifa, postou o seguinte no Twitter:

“Agora é hora da gente ver se existe jornalismo de games no Brasil, né? Isso, jornalismo sabe? Não publicidade”.

Infelizmente ainda há muita publicidade e espuma.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.