Por Pedro Zambarda, editor-chefe.
Hell Clock me atingiu em cheio. Fãzaço de Diablo, desenvolvido pela Rogue Snail, estúdio experiente do Rio de Janeiro que hoje é remoto, com dedo da PUGA, financiamento público governamental e publisher Mad Mushroom, o game explica de forma didática, com gameplay atraente e trilha marcante a história da Guerra dos Canudos.
Dos fiéis de Antônio Conselheiro, no interior da Bahia, contra o Exército Brasileiro. Numa revolta entre 1896 e 1897 que terminou em morte de uma população miserável e castigada.
E a música maravilhosa é tocada por Thommaz Kauffmann, de Dandara, Moira e outros games indie brasileiros consolidados.
A gameplay de Hell Clock lembra Dandy Ace com uma curva de dificuldade menos punitiva entre os roguelites brasileiros, em que você morre na caminhada para ir aprimorando o personagem. A briga de Hell Clock é pelo tempo.
Não basta vencer os inimigos, mas é necessário evitar que o relógio se esgote. Por isso, embora você não tenha lá um sistema de dodge tão desenvolvido, às vezes é melhor matar menos, desviar e correr. Enquanto os militares foram substituídos por zumbis que aumentam conforme você mergulha no inferno.
É uma metáfora de um Brasil sofrido. E, como lembraram na live de gameplay, existe jogo indie brasileiro de todo tipo.
Podemos contar histórias genéricas em inglês para conquistar um público internacionalmente mais amplo. Podemos adaptar as histórias já gamificadas para o português. E podemos adaptar um livro como Os Sertões, de Euclides da Cunha (jornalista do Estado de S.Paulo), para traduzir a cultura brasileira dentro dos videogames.
Hell Clock faz isso muito bem! É um clássico quase instantâneo.

Notas
- Gráficos: 9
- Jogabilidade: 10
- Som: 10
- Replay: 9,5
- Nota final: 9,37
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.
